Caridade Explanada


Não sou um leitor fiel e muito menos acho que a Bíblia seja um livro sagrado inspirado por Deus, mas também não tiro crédito pelos bons ensinamentos e sabedorias que a obra contém –principalmente no Novo Testamento que aborda os ensinamentos de Jesus.

Claro que tem muita crueldade, contradições, injustiças, preconceito, machismo e diversas outras coisas absurdas.
O fato é que a Bíblia, além de ter sido escrita por civilizações pritimivas – que de civilizadas não tinham nada – que não tinham o menor conhecimento científico ou moral, também foi o livro mais adulterado que se tem relato na história da humanidade.

Por isso, como qualquer outro livro humano, está sujeito à falhas e cabe a nós filtrar o que é e o que não é proveitoso para nosso crescimento moral e espiritual.

Certas leis e regras da Bíblia –principalmente do Velho Testamento – não deveriam ter a menor consideração, pois serviam apenas para o povo daquela época.
Ex: não cortar a barba, não comer carne de porco ou frutos do mar, não chegar perto de mulheres menstruadas, circuncisão, etc.

Já outras são tão atemporais e universais que servem para nossa sociedade e servirão para muitas sociedades futuras.
Ex: amar o próximo, não julgar para não ser julgado, não levantar falso testemunho, etc.

Um dos trechos que mais gosto é o encontrado no livro de Mateus, capítulo 6, versículo 3.

"Tu, porém, quando deres uma esmola ou ajuda, não deixes tua mão esquerda saber o que faz a direita".

Vejo muita gente nas redes sociais querendo tirar vantagem pelas coisas boas que faz.

Incontestavelmente é maravilhosa a atitude dessas pessoas em ajudar quem precisa, mas será que se tratando de crescimento interno e reforma íntima, ajudar por status adianta alguma coisa?

No mundo de selfies e instas que vivemos, se a pessoa dá uma esmola para um morador de rua, já tira foto, posta um texto enorme de reflexão na internet e insinua que todos deveriam agir como ela e serem mais caridosos.

A pessoa não ajuda porque sente vontade de ajudar simplesmente, mas sim porque sabe da repercussão que aquilo pode causar na sua vida rede social.

A verdadeira caridade não precisa ser explanada.
Quem é ajudado recebe e quem ajuda recebe muito mais, pois uma das melhores sensações do mundo é a de ter sido útil e importante na vida de alguém.
É essa sensação íntima tão gostosa que faz o ato de ajudar alguém tão bom.
Ninguém sai perdendo nunca.

Então sejamos mais discretos nas pequenas e grandes caridades que praticamos no dia-a-dia.
O bem não é movido a plateia ou likes.
Deixemos a audiência massiva para atividades que demandem a participação de mais pessoas, como mutirões e arrecadação de doações.

No mais, o trecho bíblico supracitado deve ser sempre lembrado.

Abraços e muita luz.
Att, Luiz Claudio!

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